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Board index » Ceratocone e Tratamentos » Adapta√ß√£o de Lentes de Contato Especiais Para o Ceratocone

 


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 Post subject: Os Diferentes Tratamentos para o Ceratocone
PostPosted: Tue May 19, 2009 6:53 am | Post{ VIEW_SINGLE_POST } 

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Joined: Thu Apr 27, 2006 7:45 pm
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Location: Porto Alegre
Nos √ļltimos anos, especialmente nesta √ļltima d√©cada, observou-se um progresso muito grande nas possibilidades de tratamento das ectasias corneanas em especial o Ceratocone, mas tamb√©m para a Degenera√ß√£o Marginal Pel√ļcida, para o ceratoglobo e tamb√©m para as ceratoectasias resultantes de cirurgias refrativas (ceratocone induzido).

√ďculos


Muitas vezes nos casos de ceratocone inicial a moderados √© poss√≠vel e desej√°vel a prescri√ß√£o de √≥culos de grau para estes pacientes. Hoje com os modernos materiais de lentes de alto √≠ndice de refra√ß√£o, lentes leves e resistentes, com arma√ß√Ķes de materiais modernos, leves e resistentes, √© poss√≠vel fazer prescri√ß√Ķes de alto valor esf√©rico e cil√≠ndrico. Alguns pacientes podem tolerar bem a vis√£o obtida, mas geralmente a lente de contato proporcionar√° uma qualidade de vis√£o bem melhor, especialmente devido a vis√£o perif√©rica e ao campo visual, assim como a qualidade geral da vis√£o.

Lentes de Contato


Conforme √© poss√≠vel encontrar com um pouco de pesquisa, encontra-se no Brasil algumas lentes especiais para ceratocone, todas elas lentes que variam em seus desenhos e que tem origem na lente Soper, originalmente desenvolvida nos EUA h√° mais de 40 anos atr√°s. Dentre as lentes dispon√≠veis encontramos diferentes fabricantes que produzem uma lente baseada na lente Soper, cada uma com diferentes desenhos. Os nomes conhecidos s√£o Dupla-face, Soper, Rose K e a Ultracone. √Č importante mencionar que os respons√°veis pela cria√ß√£o da lente Ultracone (eu e meu pai, Dr. Saul Bastos) fomos os √ļnicos de fato que trabalharam diretamente com o Soper, t√©cnico especialista e instrutor cl√≠nico de lentes de contato, que desenvolveu estas lentes nos EUA. O Dr. Saul Bastos com os mestres Gilberto Arruda e filho, foi um dos m√©dicos pioneiros no Brasil a adaptar a lente Soper e que a trouxe para o Brasil.


A lente Ultracone possui um desenho multi-asf√©rico posterior e anterior que cont√©m in√ļmeros avan√ßos tecnol√≥gicos aplicados ao longo de mais de 40 anos de pesquisa cl√≠nica e cient√≠fica realizados no IOSB e posteriormente no laborat√≥rio Ultralentes em Porto Alegre. Estas lentes podem ser adaptadas em casos de ceratocone extremos com picos de curvatura de mais de 80 dioptrias. A empresa que n√£o faz propaganda, tem foco mais cient√≠fico que comercial, por esta raz√£o estas lentes s√£o mais dif√≠cieis de serem encontradas. Os m√©dicos que adaptam estas lentes s√£o credenciados pelo laborat√≥rio e precisam ser indicados por oftalmologistas j√° credenciados.


Transplante de Córnea


Em rela√ß√£o aos m√©todos mais invasivos, o transplante de c√≥rnea foi o que talvez tenha mais evoluido. A melhora na qualidade das t√©cnicas de capta√ß√£o, preserva√ß√£o e manuseio das c√≥rneas, assim como o avan√ßo em rela√ß√£o as t√©cnicas cirurgicas como a ceratoplastia penetrante, o transplante lamelar e de tempos para c√° com o uso do Intralase, possibilitam aos m√©dicos cirugi√Ķes e seus pacientes obter resultados cada vez melhores. Naturalmente os resultados n√£o podem ser garantidos e se os √≥culos resolverem ap√≥s a recupera√ß√£o que pode levar de 6 meses (no caso do Intralase) at√© 18 meses (ceratoplastia penetrante) j√° √© considerado um excelente resultado. Importante mencionar que a adapta√ß√£o de lentes de contato RGPs p√≥s-transplante ainda √© largamente utilizada para que os pacientes possam obter a melhor acuidade visual, corrigindo o astigmatismo irregular que os √≥culos muitas vezes n√£o conseguem corrigir.


Uma lente especial para este tipo de adaptação é a lente multi-asférica Ultraflat que proporciona excelentes resultados, é uma lente mais difícil de se conseguir mas os resultados são excelentes pois ela pode garantir bons resultados em córneas mesmo com grande irregularidade na sua superfície.


Outro aspecto a ser considerado no transplante de c√≥rnea √© a idade do paciente e a sua indica√ß√£o cir√ļrgica, pois pacientes muitos novos que n√£o tenham opacidades (leucoma, n√©bulas ou cicatrizes) que n√£o tenham resolvido (curado) e que justifique a indica√ß√£o, podem ter maior incid√™ncia de complica√ß√Ķes como maior percentual de √≠ndice de rejei√ß√£o (Graft x Host Desease) at√© complica√ß√Ķes tardias como a fal√™ncia secund√°ria das c√©lulas endoteliais, ou mesmo a diminui√ß√£o de transpar√™ncia da c√≥rnea com algumas d√©cadas, o que para um jovem hoje pode parecer uma solu√ß√£o, para um adulto pode ser uma grande complica√ß√£o em sua fase mais ativa de sua vida, com implica√ß√Ķes profissionais e de qualidade de vida, tendo que passar por novo transplante ap√≥s este tempo.

Implante de Anel


Outra técnica que há alguns anos foi lançada com grande esperança por parte de médicos e pacientes foi o implante de segmentos de anel intracorneano (ou intraestromal). Embora o implante de anel tenha sido inventado no Instituto Barraquier para tratamento de miopias elevadas (nos EUA é conhecido como Intacs) esta técnica começou a ser utilizada para a redução e contenção do avanço do ceratocone, impedindo a sua progressão.


No Brasil, o oftalmologista Dr. Paulo Ferrara desenvolveu sua pr√≥pria t√©cnica e seu pr√≥prio desenho de anel, chamado Anel de Ferrara. Os resultados no entanto com o tempo mostraram-se limitados a uma pequena parcela dos pacientes submetidos a este procedimento, h√° refer√™ncias na literatura m√©dica de complica√ß√Ķes como extrus√£o (expuls√£o de um ou dos dois segmentos da c√≥rnea) geralmente de um dos segmentos, dep√≥sitos de c√©lulas mortas ao longo dos dutos, criando uma esp√©cie de calcifica√ß√£o na regi√£o. Muitos pacientes queixam-se da presen√ßa de halos ou reflexos indesejados e que os impossibilitam de ter uma boa vis√£o noturna, alguns inclusive ficando impedidos de dirigir a noite.


Os resultados dos implantes de an√©is s√£o controversos, uma vez que h√° muitos relatos de pessoas que tiveram resultados aqu√©m de suas expecativas, e o que se v√™ nos eventos cient√≠ficos √© que os resultados tem frustado tanto m√©dicos e pacientes. Entretanto h√° aqueles pacientes que tiveram excelentes resultados e que est√£o com boa acuidade visual, portanto isso d√° legitimidade a t√©cnica. Os demais que precisam de adapta√ß√£o de lentes de contato enfrentam outros problemas, como o da dificuldade de adaptar lentes r√≠gidas g√°s perme√°veis p√≥s-implante de an√©is. Muitos m√©dicos procuram na t√©cnica do Piggyback (gelatinosa embaixo e uma r√≠gida por cima) para superar estas limita√ß√Ķes, mesmo sabendo que uma c√≥rnea operada e portanto j√° com alguma agress√£o (por m√≠nima que seja) n√£o ir√° provavelmente tolerar lentes hidrof√≠licas (gelatinosas) por muito tempo. Abre-se a√≠ uma discuss√£o saud√°vel no uso de lentes descart√°veis e nas modernas lentes de silicone hidrogel para esta t√©cnica especificamente.


O IOSB (Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos) em Porto Alegre, desenvolveu pioneiramente uma lente especial para adaptação pós-implante de anel, fabricada pela Ultralentes e chamada Ultracone PCR. Esta lente possibilita que a adaptação possa ser feita com êxito devido ao seu desenho multi-asférico de alta excentricidade e de curvas reversas, possibilitando um adequado padrão de adaptação, conforto, segurança e sucesso na adaptação.

Crosslinking (CXL)


O tratamento cruzado de col√°geno de c√≥rnea com riboflavina sob luz ultravioleta √© absolutamente novo no Brasil. Embora esta t√©cnica desenvolvida em Dresden na Alemanha tenha seu in√≠cio no come√ßo da d√©cada, ainda s√£o poucos os casos com mais de 5 anos de acompanhamento, e pouco se sabe se os resultados ser√£o mantidos ou se poder√° ocorrer alguma complica√ß√£o tardia em 10, 20 ou mais anos. N√£o resta d√ļvidas de que √© um tratamento promissor, mas √© preciso um pouco de cautela para justificar a indica√ß√£o que segundo o protocolo √© de que existam evid√™ncias inequ√≠vocas de que o ceratocone esteja avan√ßando no momento.


Ainda √© relativamente pequena a quantidade de informa√ß√£o dispon√≠vel sobre os resultados a longo prazo, as complica√ß√Ķes geralmente s√£o a presen√ßa de haze corneano que pode durar de duas semanas a tr√™s meses, ocasionando fotofobia em alguns pacientes durante este tempo. Alguns relatos de pacientes mostram que a dor sentida no p√≥s-operat√≥rio √© significativa, ficando o paciente por alguns dias necessitando o uso de medicamentos analg√©sicos.


A t√©cnica consiste em remover o epit√©lio corneano, pingando gotas de riboflavina e administrando uma luz ultravioleta com intensidade e tempo controlados. A a√ß√£o dos raios ultravioleta funciona como uma esp√©cie de catalizador do processo de aumentar a resist√™ncia biomec√Ęnica da c√≥rnea, fortalecendo as fibras do col√°geno da c√≥rnea, deixando-as com maior cruzamento e consequentemente maior firmeza. Este processo ocorre naturalmente com a c√≥rnea de todos os indiv√≠duos na medida em que a pessoa envelhece, mas neste caso o processo visa em primeiro lugar garantir que o ceratocone seja impedido de progredir. A literatura dispon√≠vel mostra que √© poss√≠vel no entanto uma diminui√ß√£o do astigmatismo corneano em torno de 1.5 a 2.5 dioptrias o que possivelmente pode melhorar um pouco a acuidade visual, principalmente nos casos mais iniciais da patologia.

Tratamentos Combinados


H√° alguns anos j√° s√£o realizados na Europa tratamentos utilizando o implante de anel intracorneano e a posterior aplica√ß√£o de crosslinking. Alguns m√©dicos j√° inclusive experimentaram a aplica√ß√£o de cirurgia refrativa ap√≥s estes dois procedimentos, abrindo espa√ßo para a discuss√£o sobre a viabilidade de submeter a c√≥rnea, um delicado e nobre org√£o, a tamanha sucess√£o de agress√Ķes, uma vez que todos estes procedimentos s√£o pouco ou mais invasivos.

Conclus√£o


De todos os m√©todos de tratamento, os √≥culos seguidos de lentes de contato de alta tecnologia e qualidade s√£o os tratamentos menos invasivos e mais seguros, que podem devolver aos pacientes uma melhor qualidade de vida normal, embora como foi dito cada um dos tratamentos possa ser bom para alguns indiv√≠duos. A lente de contato, em especial as RGPs s√£o em todos os casos, a √ļnica solu√ß√£o quando todos os demais m√©todos n√£o resolvem. E tudo no fim acaba retornando para as lentes de contato, sempre que se fizer necess√°rio.

_________________
Luciano Bastos
Diretor & Instrutor Clínico de LC IOSB / Diretor Ultralentes
Membro:
Scleral Lens Education Society (US)
British Contact Lens Association (UK)
Contact Lens Society of America (US)
Contact Lens Manufacturer Association (US)


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