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Board index » Ceratocone e Tratamentos » Adapta√ß√£o de Lentes de Contato Especiais Para o Ceratocone

 


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 Post subject: Qual a causa do ceratocone?
PostPosted: Sun Jul 06, 2008 4:30 am | Post{ VIEW_SINGLE_POST } 

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Joined: Thu Apr 27, 2006 7:45 pm
Posts: 326
Location: Porto Alegre
Novidades que foram discutidas durante o √ļltimo Congresso Mundial de Ceratocone, em Janeiro de 2008.

O ceratocone é de origem genética?

Embora segundo o estudo chamado CLEK (collaborative Longitudinal Evaluation of Keratoconus) tenha descoberto que 13,5% dos pacientes de ceratocone tenham hist√≥rico familiar de ceratocone, h√° uma chance de 15 a 67 vezes maior de que ocorra em parentes de primeiro grau do que na popula√ß√£o geral. Uma respeit√°vel amostragem de dados sugere que a patogenia do ceratocone √© de fato influ√™nciada por causas gen√©ticas. Entretanto, muito poucas investiga√ß√Ķes tem levado a que genes s√£o causadores ou influenciam o ceratocone. Foi recomendado um estudo controle de casos gen√©tico epidemiol√≥gico de uma grande amostragem de dados possa servir como uma excelente maneira de melhor determinar os genes envolvidos nesta complexa patologia da c√≥rnea. Utilizando este tipo de estudo, os pesquisadores poder√£o identificar um gene de diagn√≥stico, clon√°-lo, mape√°-lo e ent√£o talvez desenvolver uma terapia de droga de interven√ß√£o ou mesmo uma terapia de genes no futuro.


E o ato de coçar os olhos?

A endenta√ß√£o (nome correto) corneana (diferen√ßa topogr√°fica) e a transfer√™ncia de curva compensat√≥ria, assim como a alta protuber√Ęncia induzida da c√≥rnea imediatamente adjacente a esta ententa√ß√£o s√£o respostas mec√Ęnicas ao ato de co√ßar os olhos, que resultam em alta press√£o dos tecidos. Logo, o co√ßar de olhos com for√ßa e cont√≠nuo parece ter uma forte papel de contribui√ß√£o na etiologia e da progress√£o do ceratocone. √Č extretamente recomend√°vel que o paciente seja avisado para evitar o co√ßar dos olhos para pacientes de alto risco, inclusive para aqueles que tenham hist√≥rico familiar de ceratocone na fam√≠lia e para os que tem ceratocone, para diminuir ao m√°ximo a sua progress√£o. O co√ßar dos olhos continua sendo um dos maiores achados percentuais nos hist√≥ricos de pacientes com ceratocone. Tratar a alergia ocular e a rinite al√©rgica quando presente √© de fundamental import√Ęncia para evitar que o quadro se agrave.

No IOSB, h√° muitos anos o ceratocone e outras distrofias corneanas s√£o tratadas de forma sist√™mica, sendo as vezes recomend√°vel que o paciente consulte com um especialista em alergia e fa√ßa tratamento conjunto de forma t√≥pica e tamb√©m sist√™mica nos casos mais graves. Nos casos de s√≠ndrome de olho seco ou de pouca produ√ß√£o de l√°grimas o tratamento especializado se torna ainda mais importante quando estes ocorrem de forma simult√Ęnea. √Č importante fazer um estudo mais profundo do paciente para descobrir poss√≠veis causas dos problemas, como alimenta√ß√£o, tratamentos com drogas para outras patologias ou hist√≥rico familiar. O acompanhamento do oftalmologista e de outro especialista nestes casos √© fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Quando trata-se de pacientes usu√°rios de lentes de contato, muito comum no ceratocone e em outras patologias oculares de c√≥rneas irregulares, a adapta√ß√£o de lentes RGPs de alta qualidade e bem adaptadas √© crucial para a sa√ļde fisiol√≥gica da c√≥rnea.


Origem epitelial ou estromal?

Segundo uma pesquisa feita, embora n√£o seja bem claro se o ceratocone inicia no epit√©lio ou no estroma corneano, o epit√©lio √© definitivamente uma parte do processo da doen√ßa, incluindo seu est√°gio precoce. As altera√ß√Ķes patol√≥gicas incluem a varia√ß√£o da espessura epitelial e a a s√≠ntese anormal de seu embasamento. A membrana de Bowman √© severamente afetada ou perdida no ceratocone e com uma membrana basal de 10 a 15 vezes mais espessa que o normal, √© dif√≠cil para os hemidesmossomos (√Ęncoras) juntamente com o conjunto de c√©lulas basais epiteliais penetrar na membrana basal e ancorar o epit√©lio. O resultado da fragilidade epitelial torna imperativo evitar o toque apical provocado pela adapta√ß√£o de lentes de contato e o consequente estresse mec√Ęnico resultante contra essa √°rea. Como dizia o Dr. Saul Bastos, "a t√©cnica de adapta√ß√£o de lentes de contato r√≠gidas de tr√™s toques (three point touch) √© uma t√©cnica ultrapassada e deve ser evitada ao m√°ximo." Lembro dele dizendo isso em um dos congressos da SOBLEC e afirmando que essa t√©cnica era de trinta anos atr√°s e ainda √© (infelizmente) ensinada e divulgada.

Um estudo de microscopia confocal realizado por Charles McGhee, PhD; Jennifer Fan, BHB, MBCh. tamb√©m sugere que a primeira anormalidade no ceratocone pode residir no epit√©lio corneano. Eles encontraram cerat√≥citos degenerativos em c√≥rneas ceratoc√īnicas e aptose associada com rupturas da membrana de Bowman. Tamb√©m descobriram o aumento e irregularidade no arrnjo das c√©lulas epiteliais ao longo do afinamento do epit√©lio. Os casos mais severos foram mais frequentes com pacientes jovens e que co√ßavam frequentemente os olhos.


Colocando tudo junto

A Dra. M. Cristina Kenney, MD, PhD apresentou sua teoria na qual uma seq√ľ√™ncia de eventos ocorrem que resulta no ceratocone. Ela divulgou que aproximadamente dez diferentes cromossomos est√£o associados com o ceratocone e que √© bastante prov√°vel que o ceratocone tenha m√ļltiplos genes envolvidos que levam a um padr√£o final comum, o qual ela nomeou "Padr√£o de Estresse Oxidativo" (OSP-Oxidative Stress Pathway). Nesta teoria, a aptose ocorre como resultado de uma forma√ß√£o de radicais livres ou esp√©cies de oxig√™nio reativo (ROS-Reactive Oxigen Species) e de esp√©cies de nitrog√™nio reativo (RNS-Reactive Nitrogen Species). Em indiv√≠duos suscept√≠veis, o DNA mitocondrial √© danificado, a produ√ß√£o de energia √© reduzida e uma s√©rie de eventos biomec√Ęnicos ocorrem que resultam no aumento do ROS o que √© ent√£o t√≥xico para as c√©lulas. C√≥rneas com ceratocone n√£o podem eliminar o ROS de forma eficiente como deveriam, logo √© importante minimizar a exposi√ß√£o da c√≥rnea a ambientes estressantes como a luz ultravioleta, co√ßar dos olhos, press√£o mec√Ęnica originada por lentes de contato adaptas de forma impr√≥prias e atopia.

Atopia √© um dist√ļrbio org√Ęnico de hipersensibilidade √† diversos fatores ambientais, tendo car√°ter gen√©tico por√©m, nem sempre heredit√°rio. Existem diversas doen√ßas at√≥picas como a asma br√īnquica, rinite al√©rgica, dermatite at√≥pica, conjuntivite al√©rgica, s√≠ndrome da hipereosinofilia e alergias alimentares. A maioria dos ind√≠viduos com atopia apresentam uma hiperprodu√ß√£o de imuglobulina do tipo E. Consequentemente, o uso de prote√ß√£o ultravioleta em √≥culos e lentes de contato √© importante assim como tamb√©m o controle da atopia e alergias com medica√ß√īes para minimizar inflama√ß√Ķes e o resultante co√ßar dos olhos.


O que podemos concluir?

Nota-se que em todos os casos, o ato de co√ßar os olhos est√° relacionado de uma forma ou de outra ao ceratocone, logo todos os esfor√ßos no sentido de que os pacientes com ceratocone sejam orientados e tratados no sentido de evitar ao m√°ximo co√ßar os olhos √© v√°lido. A adapta√ß√£o de lentes de contato deve ser feita de forma a preservar o epit√©lio corneano e n√£o provocar estresse mec√Ęnico. A incorreta adapta√ß√£o de lentes ou a adapta√ß√£o de lentes impr√≥prias, ruins ou com padr√Ķes impr√≥prios formam um importante fator no deterioramento do epit√©lio corneano e leva a uma s√©rie de eventos que ir√£o contribuir para desencadear novos processos de desequil√≠brios na fisiologia corneana. Lentes de contato ruins ou mal adaptadas causam ceratites, causam ressecamento do epit√©lio e sensa√ß√£o de olho seco no paciente, piorando ainda mais o quadro e levando o a co√ßar os olhos de forma mais frequente e mais forte, provocando as vezes ard√™ncia e intoler√Ęncia ao uso da lente de contato.

Pelas li√ß√Ķes de meu pai, Dr. Saul Bastos, Joseph Soper, Perry Rosenthal, Edward Bennet, entre outros saudosos mestres, posso pessoalmente concluir que estamos descobrindo hoje o que j√° se sabia h√° d√©cadas, por√©m com uma fundamenta√ß√£o cient√≠fica ineg√°vel e est√° aberto o caminho para o desenvolvimento de novas possibilidades de preven√ß√£o, ou de formas de amenizar o ceratocone e melhor trat√°-lo. Seguramente a pesquisa cl√≠nica e cient√≠fica gen√©tica do ceratocone √© um caminho saud√°vel a seguir para que possamos melhor entender a doen√ßa e descobrir formas de tratamento adequadas e menos agressivas.



Fonte: Contact Lens Spectrum Magazine - 2008 Global Keratoconus Congress
Traduzido, editado e comentado por Luciano Bastos

_________________
Luciano Bastos
Diretor & Instrutor Clínico de LC IOSB / Diretor Ultralentes
Membro:
Scleral Lens Education Society (US)
British Contact Lens Association (UK)
Contact Lens Society of America (US)
Contact Lens Manufacturer Association (US)


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